Reumatismo palindrômico: quando pensar?


Dia desses, eu atendi uma paciente de 37 anos com quadro de quase 3 anos de artrite migratória, envolvendo joelhos, cotovelos, punhos e metacarpofalangeanas.

As crises de artrite duravam cerca de 5 a 7 dias, com remissão espontânea ou com dose única de anti-inflamatórios não esteroidais.

As crises tinham recorrência de cerca de 2 vezes ao mês.

No momento da avaliação, a paciente apresentava apenas artrite de joelho direito, sem outros sinais de sinovite em outras articulações.

Na investigação laboratorial que trazia consigo, havia um fator reumatoide reagente (65 UI/mL) e o anti-CCP era negativo.

Estava discutindo o caso com residentes/alunos e todos queriam fechar diagnóstico de artrite reumatoide (AR).

Bem, qual o problema aqui? Que AR é essa que vem em crises e a paciente fica totalmente assintomática entre as crises?

Fora que o padrão de acometimento articular aqui era de uma poliartrite migratória, envolvendo grandes e pequenas articulações que em nada lembra o padrão de acometimento de poliartrite simétrica ativa da AR…

Após investigação extensa, fechamos o diagnóstico de reumatismo palindrômico (RP) e demos hidroxicloroquina para tentar reduzir o risco de evolução para AR.

Cerca de 50% dos pacientes com RP podem evoluir para AR.

O RP compartilha características de doenças autoimunes e autoinflamatórias e existem diferenças no padrão de acometimento inflamatório entre RP e AR, predominando inflamação periarticular e tenossinovite no RP.





Vamos treinar nosso diagnóstico diferencial? Quais as causas de artrite intermitente você lembra?



Referências



Mankia K et al. Nat Rev Rheumatol. 2019;15(11):687-95. doi: 10.1038/s41584-019-0308-5.

Sanmartí R et al. Front Med (Lausanne). 2021 Mar 25;8:657983. doi: 10.3389/fmed.2021.657983.


08/04/2023